sábado, 17 de julho de 2010

2- Morde-me

Outros dias sucederam-se a esse e encontrava-o no corredor, quando isso acontecia era impossível os nossos olhares não se cruzarem, assim que o via lembrava-me do que acontecera na aula anterior e de certa maneira arrependia-me por ter conseguido resistir aos meus impulsos, e depois de um dia inteiro à espera tinha finalmente chegado à hora da aula de Biologia. Estava sem dúvida alguma nervosa, não sabia qual seria a minha reacção, nem a do professor, mas ganhei coragem e entrei na sala, mais uma vez os nossos olhares cruzaram-se, e acho que seria impossível as pessoas à nossa volta não perceberem a atracção física existente entre nós.
Não consigo explicar aquela atracção, mas quando estávamos na mesma sala tornava-se quase impossível mantermo-nos afastados, algo fazia com que estar no mesmo sitio do que ele se torna-se insuportável.
Nas aulas seguintes o mesmo foi sucedendo até que chegou a altura de que ansiava.
Tive que ficar para o final da aula devido a um trabalho qualquer, o importante aqui não é isso, mas quando me aproximei dele, as palavras foram poucas, agarrou-me pela cintura, pôs-me em cima da secretária, e beijou-me de uma tal maneira que fez-me desejá-lo ainda mais. Naquele momento quis tanto apoderar-me dele, quis senti-lo em mim, a maneira como ele me tocava, como me beijava era incrivelmente excitante, mas mais uma vez afastei-o e disse-lhe:
- Desculpa, isto não devia ter acontecido. – Peguei nas minhas coisas e sai de lá.
Não sei que se passou mas sempre que havia algum tipo de aproximação entre nós a vontade de ser possuída por ele, era vencida pelo medo de ser apanhada.
Quando sai da sala, encontrei a mulher dele, não sei se ela percebera o que se tinha passado, mas considerei essa ideia impossível.
Fiquei com a imagem dele a agarrar-me e pôr-me junto a ele durante horas na cabeça, e a vontade de ser dele (de uma maneira estritamente sexual) também tinha perdurado.
Desde então houve uma necessidade de vê-lo, ao princípio achava que estava apaixonada, mas com o passar do tempo apercebi-me que aquilo não passava de uma “relação”, se assim o podemos chamar, que tinha como fim satisfazemo-nos sexualmente e não emocionalmente. Durante esse semestre nunca nos chegamos a envolver ao ponto de fazermos sexo, não que não quiséssemos, mas sim porque algo nos impedia de o fazer.
Comecei a vê-lo quase todos os dias, não estava com ele, mas só o facto de o poder ver, deixava-me satisfeita, quando nos aproximávamos quase conseguia sentir o fluxo sanguíneo a aumentar, fazendo com o meu coração batesse mais rápido, era um sensação estranha, mas que me dava algum gozo.
Ansiava cada vez mais para estar com ele, para poder sentir a sua respiração a afagar o meu rosto, era estranho estar numa sala a envolver-me quase sexualmente com um professor, de certa maneira aquilo era um crime, mas isso trazia mais satisfação à relação, sempre ouvi dizer que o fruto proibido é sempre o mais apetecido, e aquele era o meu fruto proibido, o fruto que desejava possuir.
Ouve uma vez que estivemos juntos, que me marcou em especial, lembro-me como se isso se estivesse a passar neste preciso momento, ele agarrou-me, beijou-me e disse:
- Adoro-te!
- Adoras-me porque as outras não são o teu colchão, e eu sou apenas isso, um colchão para ti.
Naquela altura não sabia bem o que dizer, era estranho ouvi-lo a dizer aquilo, não estava certo, e a resposta que achei mais acertada foi a que talvez nos acabou por afastar.

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